quinta-feira, 23 de abril de 2015

Legio Patria Nostra - Introdução 
 
     Todo entusiasta dos temas relacionados ao meio militar conhece a Legião Estrangeira. Sem embargo, percebemos que mesmo aqueles que pouco se interessam por tais temas conhecem a lendária formação militar francesa. Amantes da boa música são capazes de formar uma imagem verosímil do legionaire cantado por Edith Piaf; fãs das tiras em quadrinhos de jornais irão lembrar-se de "Crock, o legionário"; cinéfilos poderão pensar em Jean-Claude Van Damme em O Legionário ou mesmo na animação As Aventuras de Tim-Tim, apenas para citar dois exemplos que a todo tempo são reprisados na televisão. Diante disso, percebe-se que a Legião extrapola as fronteiras francesas não apenas em termos de recrutamento e emprego, mas também no imaginário mundial. Deste modo, através dos séculos e décadas, a Legião construiu sua legenda, e a imagem do legionário com seu kepi blanc tornou-se a representação do combatente endurecido pela vida, desiludido, em busca de seu lugar no mundo e disposto a lutar (na acepção mais literal do termo) em busca desse objetivo. 
     Contudo, a despeito da fama (justificada, frise-se) da Legião e dos legionários, o que percebo que muitos desconhecem é que a formação é mais conhecida militarmente por suas derrotas do que por suas vitórias. Por favor, não entendam aqui uma tentativa de revisionismo voltada ao apequenamento da Legião e de sua história. A derrota nem sempre deve ser encarada em seu sentido mais óbvio, especialmente no campo da História Militar. Quem poderia, por exemplo, diminuir as qualidades militares de Rommel e seu Afrika Korps pelo fato de terem sido derrotados no Norte da África?  Ou quem possui argumentos sólidos para fazer fenecer a glória do Rei Leônidas e as tropas sob seu comando, a despeito da derrota no Estreito das Termópilas? Não há meios fáceis para tal, se é que existem. O mesmo raciocínio pode ser aplicado à Legião. Embora derrotada em muitas oportunidades, ainda hoje atrai dezenas de voluntários aos seus portões em Aubagne, provenientes dos quatro cantos do mundo, e ainda hoje inspira respeito e temor aos seus potenciais adversários. Procuremos, então, através da análise de algumas das principais derrotas dos legionários, compreender como, ainda assim, são eles respeitados, temidos, e capazes de atrair inúmeros candidatos a ostentar o lendário kepi blanc. Como é dito em uma de suas emocionantes e inspiradoras canções: La Legion marche vers le front!

domingo, 12 de abril de 2015

    Como muitos, sempre fui um apaixonado por História Militar. Na verdade, sempre fui um apaixonado pela História em geral, mas sem dúvida a história das grandes batalhas através dos tempos sempre me seduziram mais que qualquer outra coisa.
    Nascido e criado em tempos de desvalorização do magistério, jamais cogitei a possibilidade de tornar-me um historiador. A História foi ao longo de minha vida um hobby, uma atividade a ocupar meu tempo livre. Tampouco segui a carreira das armas, ao menos no sentido tradicional da expressão. Imbuído da ideia de que compondo as fileiras das Forças Armadas do Brasil eu jamais veria o combate "de verdade", que tanto me fascinava, acabei tornando-me policial no Rio de Janeiro. Assim, não tive meu desembarque na Nornandia ou em Tarawa, muito menos vi-me envolvido em episódios épicos como a Batalha das Termópilas ou de Maratona. Mas tive minha guerra. Uma guerra cruel - como todas o são - onde as principais vítimas não são os combatentes, mas a população que, sem meios de defesa, vê-se a mercê dos grupos armados antagônicos.
     Com o nascimento de minha filha e uma depressão profunda ocasionada por anos na linha de frente da guerra urbana carioca, precisei reinventar-me. Foi então que, após muita "pesquisa de mercado" e reflexão, percebi que poderia fazer de minha paixão um ofício capaz de sustentar-me mas, mais do que qualquer coisa, poderia, através da História, expor a tantos quantos quiserem aquilo que ninguém pode tirar de nós: o conhecimento. Assim, aos 30 anos, servidor público estável e graduado em Direito, decidi me lançar nesse novo projeto de vida, longe de minha zona de conforto profissional, como mero neófito nas artes e domínios de Clio, a musa.
      Assim, surgiu a ideia de estabelecer esta trincheira, onde serão registrados os frutos de meus estudos e reflexões. Aqui serão expostos resumos de artigos por mim produzidos ou em produção. Nada aqui exposto será um mero compêndio de informações coletadas aqui e acolá na Internet. A ideia aqui é expor minhas reflexões e conclusões acerca dos temas sobre os quais me debrucei. Esta é a trincheira da "história-problema", da análise crítica de temas a meu ver relevantes no campo da História Militar. Espero que, com o tempo, este espaço revele-se tão prazeroso para quem o visitar como é para mim "municiá-lo".